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quarta-feira, 9 de julho de 2014

A Copa do Brasil e não dos brasileiros


É! Pouco a pouco vão tirando as bandeiras dos carros, dos mastros. Vão se guardando as camisas, e apagando as pinturas. Existem aqueles mais fervorosos, que foram mostrados nos noticiários quebrando aparelhos de TV's. Presenciei alguns rasgando, e puxando a camisa que levava o verde e o amarelo. Isso porque aquilo que era motivo, talvez o único, de orgulho, depois de ontem não passou de uma vergonha. E agora do que vão se orgulhar o povo brasileiro?! Sim, como, acredito que todos os brasileiros, me entristeci com a derrota. Mais minha tristeza era pequena, logo passou. Maior é a tristeza quando vejo o tanto de vezes em que o Brasil já perdeu. Vejam o nosso falido Sistema Único de Saúde, vejam o nosso analfabetismo funcional, percebam nossa economia sendo levada nas costa de um programa de distribuição de renda direta. Mas, a humilhação não para por aí, vivemos na insegurança, temos que lidar com as indiferenças, já que as diferenças muitas vezes não são aceitas. Outra vergonha é o nosso patriotismo, porque que só vestimos as cores da bandeira nos períodos de Copa do Mundo, será que não vale a pena trajar-se com o verde e o amarelo para lutar por uma vida mais justa, por uma sociedade igualitária, por um melhor lugar para viver?!

Parece que não. O futebol parece ser o bastante, esse de vez em quando tem um investimento, mas parece que é só este. Pois somos, depois dessa derrota acho que é melhor empregar o éramos, o país do futebol, isso mesmo esqueçam dos outros esportes, esqueçam dos triatletas, dos corredores, dos nadadores, dos alpinistas, estes se trazem dinheiro e repercussão, quando trazem, são poucas.

Mas, quem sabe essa derrota sirva-se de lição. Sirva para mostrar que não temos um Brasil tão belo quanto ao que foi mostrado nos últimos 28 dias de Copa. Que mostre que falta se investir nos demais setores da sociedade. É sempre assim, arruma a casa pois tem visita! Coloque-se a sujeira em baixo do tapete, ou em outro lugar que seja bem escondido, para que ninguém possa ver.

David Luiz disse, chorando (eu acreditei no choro dele): “Eu só queria levar alegria pro povo, pra minha gente que sofre tanto […] eu só queria ver meu povo sorrindo […] vê o brasileiro sorrindo pelo menos por cauda do futebol...” Mas é isso, ele está certo, mesmo para aqueles brasileiros que nem de longe saberia explicar o que é um estádio de futebol, mesmo para aqueles que não tem condição de assistir ao jogo em uma Fan Fest, mesmo aqueles que não poderia ver em uma TV com alta qualidade de imagem e som, sorririam ao saber que o Brasil venceu o jogo.

Mas não foi assim, e aquele momento de alegria, de anestesia acabou, e todos são obrigados a lembrar o pesadelo (realidade) que se tem. Do salário comprometido em suaves prestações, do recesso escolar que já está acabando, da corrupção (ativa e tanto) que assola e dá de lapada, muito maior que a 'pêia' do jogo Brasil vs Alemanha.

Não, creio, vai se esperar muito! Daqui a pouco aparecerão os mais diversos casos, que tão corriqueiramente aparecia nos noticiários brasileiros. Os desvios, as brigas, os casos de racismo, a até mesmo daquela senhora que morreu por falta de atendimento médico. Vão ter também as notícias dos heróis: dos bombeiros que salvam milhares de vidas, do honesto que devolveu algum dinheiro perdido, dos professores, que fazem das vísceras (tripas) coração, que ensinam sob condições precárias. 

Tudo isso por que a Copa vai acabar. E vai mostrar, que, evidentemente, foi a Copa do Brasil. Mas, de forma alguma foi a Copa dos brasileiros.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Já pensou se nós tivéssemos um deputado caririaçuense?

O sistema de governo brasileiro é considerado representativo, os eleitores votam no candidato que melhor representa seus anseios e questionamentos, a sua ideologia. Mas será que isso realmente funciona? Será que os candidatos eleitos representam a população que lhe confiou o voto? Até certo ponto, representam sim. Basta notar os evangélicos, os ruralistas, os homossexuais, os ambientalistas, sendo “representados” nas discussões políticas. Esses segmentos da sociedade são representados sim.
Entretanto tem um segmento que fica de fora. E qual seria? Nós, os pobres, os que vivem pendurados no crediário e que, se o salário atrasar no fim do mês, não sabe como vai alimentar sua família. Os representantes do povo, não representam os pobres, constatação mais do que óbvia.
Eu já escrevi noutra oportunidade, que um pobre não consegue nem se eleger vereador na Serra de São Pedro e, se candidatar-se, será motivo para pilhéria de seus semelhantes. Pobre que se candidata até parece o Judas e deve ser estripado por causa da sua vontade de representar a sua classe. Lavagem cerebral e ideológica da mulesta, ainda há quem afirme que não existe o abuso do poder econômico. Só quem tem legitimidade para ser candidato é quem pode aliciar votos economicamente. Eis uma verdade inconveniente. Se pobre não é eleito, logicamente que também não é representado. Se fosse representado, seria uma contradição. Eis aí um dos filhos do enlace matrimonial entre democracia representativa e capitalismo.
Segundo Antônio Augusto de Queiroz, analista político do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), é estimado que os gastos de campanha para se eleger um deputado estadual, são R$ 500 mil, e um federal R$ 1 milhão. Esse dinheiro poderia ser do próprio candidato ou de doações de simpatizantes. Um pobre nunca terá esse dinheirão todo e as doações que ele recebe são somente o assistencialismo do governo e a promessa de uma vaguinha no Reino de Deus, isso se for um bom menino nesta terra de gigantes. Eu num sei não, mas tenho quase certeza que os males da caixa de Pandora vieram somente para os pobres.
Partindo desse pressuposto, da constatação que nossa cidade é uma urbe paupérrima e da observação que toda eleição para deputado, eles se dirigem até aqui somente para conquistar o nosso voto e desaparecer no oco do mundo, por que não votamos num candidato caririaçuense para defender nossa cidade nas assembleias estaduais e federais? Lógico que ele não estaria lá para defender exclusivamente a Serra de São Pedro, bastava que as suas emendas parlamentares fossem destinadas ao progresso da nossa cidade e do nosso povo. Já pensou na alocação de recursos que isso traria? Certamente isso seria um grande auspicio para essa ralé que nunca experimentou plenamente o progresso.
Enquanto a isso, a falta de progresso, basta notar a famigerada inauguração de um orelhão e a querela entre a situação e um agente da oposição, que na época, começo de 2012, reivindicavam a autoria do projeto que trouxe a grande obra de um telefone público. Pense numa lapa de progresso.
Todos os anos que se tem eleições estaduais e federais, aparece em Caririaçu, pessoalmente ou através de seus cabos eleitorais, postulantes a salvadores do sertão esquecido. Eles podem até ter boa intenção e almejarem o bem comum, mas depois da votação e de alguns votos conquistados, os caba somem no oco no do mundo e só retornam quando um novo pleito se aproxima. Eles vêm com a cara de cachorro que lambe panela, como diria minha saudosa vovó, mendigar novamente os nossos votos.
Ao que se observa, nossa cidade parece uma colônia de votos. Assim como as Índias serviram especiarias à Europa, a África serviu mão de obra escrava para o Novo e o Velho Mundo, o Brasil serviu minérios, cana-de-açúcar, borracha, café, entre outros produtos, para as potências europeias, Caririaçu só serve para servir os seus votinhos para esses defensores de outras causas que não são aquelas necessárias ao nosso progresso.
O último censo realizado nas terras de Ibirapitanga (nome que os índios chamavam o pau-brasil, planta que batizou o país), em 2010 e no qual, este escrevinhador teve a experiência de trabalhar como coletor de dados, apontou que a população da Serra de São Pedro correspondia a 14031 urbano e 12362 rural, totalizando 26393 habitantes. Desse total, 20290 eram pessoas que estavam aptas a transferirem para outrem a sua pequena parcela de poder. De lá pra cá, certamente a população aumentou e seu número de eleitores também, e conseguir uma fatia desses votos é de grande valia para qualquer postulante.
O problema é que a nossa cultura está viciada em valorizar e a atribuir crédito somente ao que vem de fora, não a cultura de Caririaçu, mas a nacional. Como diz uma canção dos Titãs (A melhor banda de todos os tempos da última semana), “um idiota em inglês/ se é idiota é bem menos que nós/ um idiota em inglês/ é bem melhor do que eu e vocês”. Desta maneira é muito mais fácil apoiar um forasteiro do que um nativo.
O povo são pedrense sempre votou em deputados de fora. Estimado leitor, desculpe a minha ignorância, mas tem alguma coisa boa e palpável que você, sua família e seus amigos usufruem que subiu à Serra puxados por eles? Uniforme de futebol não devem entrar nessa lista, embora o incentivo ao esporte mereça aplausos. Lógico que há algumas obras louváveis, mas se comparando com as que poderiam ser com deputa nosso lá, são incomparáveis.
Agora entra na baia os tecnocratas, burocratas e entendidos da política. Certamente eles dirão que essa moção é uma divagação e não é possível eleger um deputado somente com os votos de Caririaçu, pois o quociente eleitoral, político, a legenda, as alianças e o programa do partido, a cotação do dólar, o preço inflacionado do voto, a plataforma da campanha, a mensagem subliminar, o luxo das igrejas, o beijo gay da novela, o gol anulado, a luz amarelada do poste e o “carái de asa”, seriam um grande empecilho. Os argumentos variariam dos mais lógicos aos mais estapafúrdios. Mas isto poderia ser resolvido com um partido pequeno e de pouca representatividade. O pior problema não é este, o que quebra a bola mesmo, é encontrar um cidadão que conquiste os dois grupos políticos reinantes, que no fundo são tão iguais e só acreditam em heróis e antagonistas diferentes e mudam de lado conforme o benefício que lhe é atribuído. Quem pode ser o semideus que seduziria esses e aqueles que não se sentem contemplados pelas suas ideologias?
Que se fale, se discuta, que venham os “eu acho isso, eu acho aquilo”. Para quem tentar refutar tal proposição, apresente uma melhor que possa libertar nosso chão desse marasmo e que caminha com passos de uma tartaruga com fome e com preguiça no rumo do progresso.
Se nós fizermos o que foi exposto, podemos até não conseguir o objetivo, entretanto, é possível que viremos objeto de estudo de algum de sociólogo, cientista político, antropólogo, cientista social, historiador, ou outros cabocos metidos a sabido que tentarão, à luz da sua ciência, entender esse fenômeno.
Isso pode até ser doidice. Se for, endoide também e diga como se faz para trazer o progresso para essa terra banhada pelo sol, mas que é desprovida de luz. Todo mundo tem a solução na ponta da língua, diga a sua. Desça da liteira da lucidez que é carregada no lombo do medo de errar e ser refutado.
Se o progresso deverá chegar através da iniciativa privada, por que ela nunca se interessou pelo nosso Caririaçu?

PS: Os próceres políticos de nossa comuna, que por ventura me derem a honra de serem meus leitores, e que certamente apoiarão e pedirão votos para candidatos de alhures, por favor, não vejam essa moção com as lentes míopes da politicalha e nem levem para o lado pessoal. Isto é apenas “um sonhador maginano”. Se o que as suas excelências almejam é ver essa cidade prosperar, não tem como nós sermos antagonistas.
PS2: Os soldados ideológicos, aduladores e interesseiros, por favor, não saquem a arma no salão, eu sou apenas o escrevinhador[1], aquele que relatou toscamente uma verdade inconveniente.




[1] Paráfrase de trecho da canção “Apenas Um Rapaz Latino Americano” de Belchior.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Donana

Não queremos aqui dissertar sobre os traços biográficos dessa grande personalidade caririaçuense e que, para nossa felicidade, ainda habita entre nós. Não vamos falar quando nasceu, de quem é prole e qual a profissão que exerceu para suprir as suas necessidades materiais. Falaremos resumidamente de Ana Soares Cardoso, para os mais velhos e mais entendidos, ela é Donana.
Ela uma é senhora simples e de hábitos singelos, todavia é possuidora de uma inteligência esplêndida e uma memória que nenhum superlativo lhe faz justiça.

A título de informação para os mais moços, Donana é simplesmente a letrista do Hino de Caririaçu. Canção que o leitor, se já estiver pelo menos beirando a adolescência, já deve ter cantado muitas vezes e o entoará pelo resto dos seus dias, numa demonstração de amor e empatia pela Serra de São Pedro.
Se os jovens de hoje bradam a belíssima música Jardim Molhado do Sertão, do amigo João Kyor, com os belos versos: Sou do Ceará, do interior/Das terras de lá/Caririaçu é o meu lugar; os nossos avós, pais e até irmãos mais velhos aprenderam a declamar os versos de Donana: Caririaçu, terra altaneira/Vimos cultuar a tua bandeira...
A letra do hino de Caririaçu foi composta em 1967, ano em que nossa cidade era governada por Raimundo Bezerra Lima (Mundeza) e quando teve início a festa do município no mês de agosto daquele. Donana, na época, era funcionária da prefeitura e como Caririaçu não possuía um hino, ela teve a ideia de fazer a letra. A inspiração, ao contrário do hino de muitos países e cidades, não foi à história do lugar e seus pequenos e grandes feitos, a inspiração de Donana, como ela mesma nos afirmou, foi à natureza que circunda e permeia nosso torrão.
A melodia foi feita pelo maestro João Boaventura e o hino foi cantado pela primeira vez no dia de São Pedro de 1968, pelo Coral Santa Cecília, coral liderado pela própria Donana, no Círculo Operário São José (hoje a sede do Grupo de Escoteiros Nossa Senhora do Carmo).
Além do hino da nossa cidade, Donana também compôs o Hino da Paróquia de São Pedro que nunca foi gravado, cujo refrão diz:
Eia povo, povo são-pedrense, avante, avante a bradar
A paróquia centenária, vamos homenagear[1]
Essa pessoa que anda pelas nossas ruas com passos lentos e vagarosos, às vezes carregando algum objeto nas mãos e sempre ignorada pela maioria da população caririaçuense, merece todo o nosso respeito e admiração.
Todavia, Donana é já uma idosa e, o idoso é desprezado pela lógica irracional humana de só dar valor aquilo que lhe conferir prestigio, o idoso só tem o conhecimento da vida passada, sobrevive ao presente e não projeta mais o futuro, apenas o profetiza.
Nos dias em que vivemos, a sapiência do empirismo e da observação, não têm valor algum. O valor das coisas contemporâneas está em consumir aquilo que é imposto pela indústria cultural. Se não consumirmos, nos sentimos à margem dessa sociedade consumista e individualista, e assim caímos na crença que somos fracassados.
Destarte, por isso, é fácil desprezarmos pessoas como Donana e, cada vez mais fazermos vênia ao lixo cultural da televisão.
Que Donana sobreviva ainda muitos anos. As pessoas que poderem e tiverem oportunidade de conversar com ela, não perca a chance, garanto que irá aprender mais do que em um ano letivo da escola. Na escola se senta, se cala, faz prova, passa de ano, para no final ganhar um pedaço de papel. Donana, inconscientemente, pelo menos foi a impressão que eu tive ao conversar com ela, ensina a conhecer e admirar a vida, o universo e tudo mais. Sem falar no imensurável conhecimento que ela tem da nossa cidade.
Donana é parte importante do patrimônio desse chão e sugere-se que se crie um busto e a faça-se uma justa homenagem a ela em vida. O busto poderia ser aos moldes do de Padre Augusto que se encontra na Praça que leva o seu nome. Também poderia fazer semelhante honraria a outras personalidades de Caririaçu, como, por exemplo, os escritores Raimundo de Oliveira Borges, Ivan Magalhães (que escolheu a Princesa da Colina, como ele descreveu Caririaçu, para viver), Célio Mendonça (que só por ser professor já merece toda nossa reverência), Padre Vicente, a educadora Maria Floscoeli, o multifário João Kyor (que com sua decisão de se dedicar somente à música, certamente levará o nome de nossa cidade a lugares longínquos e inimagináveis), o inesquecível cineasta Zé Sozinho (com o qual me orgulho de ter conversado em algumas oportunidades, quando labutava numa videolocadora) e mais alguns outros que  buscaram o progresso e levaram o nome de nossa cidade por onde colocaram os pés.
Esta cortesia não seria atribuída a nenhum político. Se não apareciam aos borbotões reclamações dos passados, presentes e vindouros que se sentiriam no direito de serem agraciados. Sem falar que político é eleito para fazer coisas boas e não há grandes méritos em realizá-las, quando as faz, é apenas o dever cumprido.
Que Deus dê ainda muitos dias a Donana, que se aproveite o que ela pode ensinar a essa juventude bovarista e pavoneada.
Viva Donana. Viva o nosso o povo, a nossa gente.
Nós não precisamos importar heróis, em Caririaçu houve e há vida inteligente, gente boa, gente que honra a gente, gente que se garante.

PS: Este pequeno esboço só foi possível, graças ao incentivo constante do amigo Marcelo Antônio (Marcelo Sam) que desejava fazer essa pequena homenagem a Donana. Ao parceiro Marcelo, que recentemente sofreu uma grande perda e está passando por um momento triste da sua vida, esse texto é dedicado a você.
PS2: As imagens que ilustram esse texto foram tiradas por Izaquiel Vieira da Silva em janeiro de 2012.




[1] Se alguém se interessar em conhecer esse hino, entre em contato pelo e-mail: fcopsousa@hotmail.com ou pelo facebook.com/fcopsousa que eu enviarei o canto entoado pela própria Donana.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Lançamento de "Apresso Lembranças"


O dia 5 de abril de 2014 foi um dia que certamente entrará para a história recente da Serra de São Pedro. Este foi o dia do lançamento do primeiro livro de Célio Mendonça, o Maré, como eu, e muitos outros, nos habituamos chamar esse homem grande no físico e na sapiência e que seu único defeito, aparentemente, é torcer pelo Vice, digo, Vasco da Gama, freguês de caderneta do time do povo... Clube de Regatas Flamengo.
Não vou falar aqui a respeito do livro em si, do seu conteúdo. Para fazer uma resenha no mínimo razoável da obra, os meus parcos conhecimentos e minha inexperiência de vida são insuficientes para escrever sobre a obra de Maré. Falarei aqui somente sobre o lançamento de Apresso Lembranças.
Eu estive presente no lançamento do livro, não somente como repórter fotográfico e redator de matéria jornalista, nem tampouco porque fui convidado pessoalmente pelo autor, embora tenha sido uma honra mui grande. Eu fui porque acima disso, me considero um profundo admirador da palavra escrita e não podia perder esse grande momento da literatura do nosso torrão. A palavra escrita e sua posterior leitura deleitada por outros olhos, é a liga da baladeira que estica e impulsiona a pedra da imaginação pelos ares e possibilita enxergar o mundo de uma visão privilegiada. Quando um caririaçuense do miolo nos traz a palavra escrita, é a prova de que nossa cidade possui vida inteligente e um futuro promissor. Vida inteligente, eis o que sois Maré.
Maré foi aplaudido de pé pelos seus pares, afinal foi assim que ele se referiu a plateia que o prestigiou: “me sinto representado pelas pessoas aqui presentes” e, diante da ovação, ele se enrubesceu e atrevidas lágrimas brotaram dos seus olhos querendo participar do lindo momento, mostrando que um homem de bom coração se emociona com coisas singelas.
Até eu, que no momento usava o hábito de profissional da informação, o qual não é permitido demonstrar emoção, me vi com os olhos marejados e para disfarçar fiquei numa janela e enquanto olhava o horizonte, discretamente enxuguei as lágrimas que irromperam do meu ser imaturo e que não sabe lidar com a beleza. Não sei qual a explicação que isso deve ter, mas me arrisco a dizer que foi a de ver um pobre que nasceu sem eira nem beira (me desculpe a expressão Maré) ter um de seus sonhos realizados.
Não sou escritor e nunca lancei um livro, mas sei que não é fácil realizar tal fato. A coisa se complica ainda mais, quando se pertence a um lugar onde a maioria das pessoas só escreve bem o próprio nome, por isso, Maré deve ser reverenciado e foi merecidamente aplaudido de pé na cerimônia de lançamento do seu Apresso Lembranças.
Também não poderia deixar de felicitar Wagner Medeiros, que com a lente de sua câmera, capta imagens inefáveis como aquela que ilustra a capa de Apresso Lembranças.


PS: Quero agradecer a gentileza do prefeito João Marcos, que esteve presente no lançamento e humildemente, como deve ser um grande governante, comprou e me ofereceu um exemplar de Apresso Lembranças, pena que eu já havia comprado. Mesmo assim, muito obrigado prefeito.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Maio: mês de Maria



O nosso nordeste brasileiro é muito conhecido por suas tradições. Estas em geral retratam a cultura da nossa população, e isto não é muito diferente na nossa Serra de São Pedro, situada no sul cearense e participante da Região Metropolitana do Cariri (RMC). Caririaçu é uma cidade interiorana, e de pequena população, 26.393 de acordo com o censo do IBGE de 2010. Gente que vive sua cultura e que revive a cada instante um pouco do seu passado, embora isso acabe se perdendo ao chegar das novas gerações, fator este auxiliado com a chegada da globalização.
Uma das maiores tradições do Nordeste são as quadrilhas juninas. Assim como existem outras culturas que também são só nossas como por exemplo o maneiro-pau, a festa dos caretas, as renovações, as bandas cabaçais, o reisado, algumas brincadeiras infantis, entre outras. Culturas que são vividas aqui no interior nordestino, e agora também na RMC. E que Caririaçu também vive e revive.
Uma destas tradições é o culto à Maria, em especial aqueles que são realizados no mês de maio. Esta é uma celebração tipicamente católica, fruto da nossa formação histórica e importação do catolicismo.
O mês de maio é conhecido por suas datas comemorativas, em especial o dia das mães, que é comemorado no segundo domingo do mês. Em alusão ao dia das mães, neste mês também se comemora, o dia de nossa senhora, mãe de um daqueles que mais se conhece em toda história humana: Jesus Cristo.
A única diferença é que a comemoração se dá no mês inteiro, onde uma série de celebrações são feitas. Por isso dizemos que o mês de maio é o mês de Maria, pois é a ela que se dedica este mês inteiro. Mas o seu dia especial é 13, como bem diz o trecho do bendito:

“A 13 de maio na cova da guia
No céu aparece
A virgem Maria
Ave, ave, ave Maria...”

Durante os 31 (trinta e um) dias do mês de maio reza-se um terço que é oferecido à nossa senhora. Todos os dias são colocados flores no altar, como oferenda à santa, e as que são retiradas são guardadas para serem usadas no ultimo dia de celebração. Além das flores, o altar é iluminado por velas que são também vistas como oferendas neste ritual.

No ultimo dia de festejos, é realizado uma grande festa. Onde toda a comunidade se reúne para rezar em frente ao altar e participar dos demais ciclos. Depois do terço, todos se reúnem em volta de uma fogueira, e cantando alegremente dão voltas sobre esta. Ao mesmo tempo em que são queimadas todas as flores que foram antes recolhidas.

Às voltas na fogueira, e ao sentir a fumaça, cantando e rezando aqueles que participam do festejo pedem e agradecem a nossa senhora.
Depois de deste ciclo, todos voltam cantando de frente ao altar para aclamar e exaltar a Nossa Senhora e aos demais santos e santas que vivem e reinam no céu, e, até mesmo, na terra. Agradecem a Deus por tudo, e também pedem saúde, paz, harmonia e felicidades. Em seguida todos se reúnem para compartilhar um momento de encerramento, onde geralmente se é oferecido um café, um chá acompanhado de biscoitos e bolos feitos artesanalmente, que também representam manifestações populares da nossa cultura.
Citamos como uma das pessoas que dão continuidade a esta tradição Dona Maria Joana, que mora desde 1947 na comunidade Bois, localizada na Zona Rural de Caririaçu. Casou-se com 16 anos. Onde estabeleceu sua família, e esta sempre vive nesta comunidade.
Ela conta que reza o terço em oferecimento a Maria há aproximadamente quatro décadas. Ela retratou que outras famílias também o faziam, um exemplo eram as Bentas e também D. Jesus que também moravam na comunidade.
Dona Maria é ‘rezadeira’, é ela quem é a responsável por tirar as renovações (entenda o que é renovação) na casa da maioria das famílias da comunidade Bois e até mesmo nas comunidades vizinhas como Francisco, Faustina, Cachoeirinha, Patos, Constantino, Borís[1]. Ela é considerada um ícone nestas comunidades, devido aos trabalhos que desenvolvera durante muito tempo na comunidade, como exemplificações destas atividades têm-se: ‘rezadeira’ (como citamos anteriormente), agente de saúde e parteira.
Ela conta que traz isso da raiz da sua cultura familiar, e teme que essa tradição não seja seguida pelos seus descendentes.
Enfim, é muito bom ver como essas culturas são vividas, e retratadas na simplicidade do nosso povo. E ver que apesar das tecnologias, e deste mundo altamente acelerado, ainda vive-se tempos de reunião, pois além de cultuar o divino esta crença popular une todo um grupo de pessoas, dando o verdadeiro sentido do que se é comunidade.




[1] Sítio Borís: homenagem à família francesa Borís que era proprietária da Fazenda Serra Verde no município de Caririaçu.

segunda-feira, 11 de março de 2013

O Papa, a governabilidade e o "seboso"




O grande poeta Jessier Quirino, matuto por vocação, disse num dos seus momentos de sapiência, “as pessoas não morrem, elas murcham”, aliás, sapiência é o que não falta a ele. Parece que tal axioma se aplica literalmente ao Papa Bento XVI, fisicamente o coitado “tá só as tira”.
A debilidade física parece consumir o pobre o homem. Partindo disso, ele surpreendeu o mundo ao afirmar a sua renúncia. Segundo ele, a sua saúde não o deixou seguir no seu exercício de guiar a toda poderosa Igreja Católica Apostólica Romana.
Porém, concomitante a isso surgem outras versões para a renúncia. E segundo algumas delas o santo padre não resistiu ao cargo devido a escândalos financeiros e sexuais praticados por entes da instituição. A tensão era tão grande que o Papa “pediu penico”.
Além da saúde do papa e dos escândalos que maculam a imagem da igreja, há ainda algumas teorias da conspiração que tentam ganhar espaços.
Quem está com a verdade? Eu não sei. Sei que esse fato evidencia uma peculiaridade que anda quase extinta na natureza humana: a hombridade desse velhinho. O ex-soldado de Hitler que chegou ao trono de São Pedro e teve a humildade dos grandes líderes, refutando o poder que lhe fora incumbido. Coisa rara de se vê.
Todavia, alguns intelectuais dizem que faltou a Joseph Ratinzger governabilidade para que ele pudesse seguir no cargo.
Governabilidade, com essa palavra saímos do glamourizado mundo do Vaticano e chegamos ao feudo coronelizado de Caririaçu.
Aqui, o grupo político que acabou de chegar ao poder fez uma conchavo com quem até pouco tempo atrás era adversário ferrenho, sendo rotulado por “seboso”.
Mas o que tem de errado com os políticos fazerem um acordo. Nada de errado, como disse o ex-governador, Gonzaga Mota, a política é dinâmica.
O que chama atenção é baixo nível de discussão dos problemas e o conluio realizado com o único intuito: manutenção do poder. Mas quem quer se manter no poder, será que também quer fazer o bem ao eleitor? Ou o valor do eleitor já foi devidamente indenizado na época da campanha?
Governabilidade, oh palavrinha chata da miligota, tal qual o politicamente correto. Em nome dessa tal de governabilidade é que inimigos mortais fazem as pazes (quando eles se associam um dos dois está blefando ou lucrando muito), ou fingem que fazem. Assim foram adversários, o dito seboso e os imaculados até o final do ano passado. Mas para conseguir a governabilidade, os puros se sujaram, ou foi o sujo que se limpou? Quem foi que mudou de ideologia nesse jogo de me engana que eu gosto? Mas será que eles têm uma ideologia de ideais, não pude evitar o pleonasmo, ou a ideologia deles é o bem material? Quanto maior a bolada e o clientelismo, melhor!
Uma das maiores aberrações que eu escutei foi que o “seboso” foi catequizado pelos imaculados para que estes tivessem maioria na câmara e o prefeito não ficasse refém do legislativo. O que Locke e Montesquieu diriam disso? Um poder se tornar presa de outro? Quando Locke teve a ideia e Montesquieu ampliou a teoria dos três poderes, foi para que cada um fosse autônomo e independente um do outro e jamais houvesse supremacia, seria o equilíbrio do poder pelo poder.
Se for para que o legislativo sirva o executivo, não tem motivos para que ele continue existindo, afinal qual a função dele?
A turma do poder, logo se prontificará e dirá que não existe submissão alguma do nosso parlamento. Será mesmo? Lógico que existe, e não é por querer deles não, é por pressão psicológica mesmo. Ou alguém vai peitar o patrão, se julgar necessário, para enfrentar o seu furioso e dogmatizado séquito?
O seboso, como era chamado pelos opositores, parece que não sabe ser oposição, é só olhar o histórico dele para constatar isso.
No jogo de interesses, na barganha, no escambo, o dito seboso não passou de um lado para outro, somente por lhe faltar criticidade para ser opositor. Antes o bem individual do que o coletivo. Ele mudou mesmo foi por causa da sua concupiscência, afinal ganhou a presidência da câmara dos comuns, um veículo para seu uso pessoal e uma meia dúzia de emprego para serem transferidos para seus vassalos. Empregos estes que deveriam ser para concursados. Por falar em concurso, quiçá possamos publicar uma postagem futura falando dele.
Como disse Maquiavel, em política os fins justificam os meios. Sendo o objetivo final a manutenção do poder, não faz mal nenhum (a eles), o seboso e o higiênico se mancomunarem.
E a lição do velhinho que não continuou no cargo por reconhecer que não seria ele a solução para os problemas? Certamente algum “seboso” da igreja tentou se aliar a Ratzinger, mas a sua idoneidade e o seu desapego ao poder bradaram mais alto.
Veremos se o nosso novo papa com seu séquito resolverá alguma coisa!