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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Coronelismo e seus torcedores!

                                                                                                               Por Marcelo Antonio



Estamos aqui numa cidade descontrolada fisicamente, mas controlada psicologicamente por senhores feudais que pouco se importam com os seus camponeses, que são encabrestados e recebem suas migalhas e acham que só isso basta. pensam que esse é o seu valor e estão satisfeitos, pois sua única preocupação é saber que seus antigos patrões perderam as terras numa guerra desleal para esse novo coronel e isso já é  motivo de extrema felicidade, pois estão do lado campeão, outros camponeses que são fiéis ao seu antigo senhor andam pelas ruas resmungando, cegos, torcendo para que o novo fazendeiro não saiba tomar conta das terras e nem dos seus números mesmo sem saber ou sabendo que os efeitos colaterais desses erros vão os atingir, pois vivem na mesma fazenda. Mas a sede de chegar ao trono da casa grande é muito maior, e isso tudo sabendo que o trono só vai ser ocupado apenas por um, e o resto irá ficar espremido no curral que é o lugar de quem são encabrestados e que receberam as migalhas prometidas, que continuarão com sede e com fome, mas com o ego cheio, pois estarão do lado do fazendeiro campeão novamente e isso é melhor que tudo.
E saindo do contexto da época do feudalismo desta cidade que também é minha onde ser ignorante é motivo de orgulho, ter um lado, um time pra torce uma bandeira para levantar e nada mais.
Podemos comparar com dois times rivais num campeonato de pontos corridos onde para seus torcedores o que importa é ver seu time campeão e não importa se pra isso o time roubou, comprou juízes (que nós somos). Nada disso importa, o que interessa é soltar da garganta o grito de ser campeão soltar fogos e desdenhar da derrota do time adversário. Um bando de imbecis que não se preocupam com nada, nem com eles mesmos, pois num campeonato quem sai no lucro é apenas os donos dos times e seus jogadores, torcedores coitados recebem apenas acenos nada mais do que isso.
Somos todos inteligentes, ninguém é melhor ou pior do que o outro. Não trate da política da sua cidade como um simples jogo, nós somos os patrões e eles os empregados, eles não fazem nada além da sua obrigação, vamos dar um basta nesse pão e circo, porque não dá para viver com essas migalhas e esse circo faz tempo que perdeu a graça.
Eu sei que essas palavras são utópicas, e tenho consciência de que só quando as massas saírem do sono da ignorância, essas palavras vão deixar de serem sonhos.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

II EVANGELIZAR É PRECISO CARIRI TERÁ PARTICIPAÇÃO DO PADRE REGINALDO MANZOTTI

Evento acontece próximo dia 23, na praça da basílica de Nossa Senhora das Dores, em Juazeiro do Norte. Mais de 100 mil pessoas devem participar do encontro.

A segunda edição do Evangelizar é Preciso Cariri, que acontece próximo dia 23 de agosto, no pátio da basílica de Nossa Senhora das Dores, na praça do romeiro, em Juazeiro do Norte, terá a participação do padre Reginaldo Manzotti, de Curitiba, Paraná.
O evento católico, considerado o maior do cariri, este ano tem como tema “Eu vim para que todos tenham vida em plenitude”.  A iniciativa é da Fundação Educativa Salesiana Padre Cícero e da comunidade católica “Quem Como Deus”. Mais de 100 mil pessoas são esperadas para o encontro.
Uma grande estrutura está sendo preparada na praça da basílica, em parceria com a prefeitura municipal de Juazeiro, para receber os fiéis. As ruas São Pedro e Padre Cícero serão interditadas para ceder espaço ao público, além da Praça Marco Zero que contará com dois telões para o acompanhamento do evento.
Também haverá uma área para os portadores de necessidades especiais, próximo ao palco, uma equipe de apoio e suporte para o que estarão neste espaço, além de intérpretes em libras.
Cerca de 900 voluntários estão sendo formados e orientados, em 30 comissões de trabalho, para atuarem durante o evento.
No encontro será lançado ainda o projeto “Mãos Que Refazem”. O objetivo é transformar a “Pedra do Vento”, no Horto, uma área marcada pelas drogas e prostituição, em um centro de cursos para dependentes químicos.
Uma feira vocacional, com exposição de trabalhos realizados por pastorais, movimentos e comunidade, também fará parte das atrações. A intenção é que os fiéis conheçam esses serviços e se engajem na igreja, participando dos trabalhos missionários.
Na sexta-feira, que antecede o evento, o padre Reginaldo Manzotti estará no Crato participando do encerramento da carreata com a imagem de Nossa Senhora Penha, ao lado do bispo diocesano, Dom Fernando Panico.
A entrada para o evento, na praça da basílica, no dia 23, é um quilo de alimento. As doações serão revertidas para as instituições assistidas pelo projeto “Mesa Brasil”, do SESC.
No entanto, os interessados em colaborar também podem adquirir um kit com camiseta e lenço mais um bilhete da rifa de uma moto zero quilômetro, além de duas tevês de 42 polegadas nos postos credenciados: Colégio Salesianos e Cariri Garden Shopping. As informações podem ser acessadas em www.quemcomodeus.com.


  
                   Assessoria de Imprensa
Evangelizar é Preciso Cariri
Contato: (88) 97510038


 PS: Esta postagem foi um pedido de uma amiga, Patrícia Mirelly, para divulgar este grande evento do catolicismo na nossa região. Como em Caririaçu tem muitos admiradores do Padre Manzotti e muitos deles já planejam irem para esse evento, nada mais justo do que fazer esse favor à amiga.
PS2: O texto é dela. 

quarta-feira, 9 de julho de 2014

A Copa do Brasil e não dos brasileiros


É! Pouco a pouco vão tirando as bandeiras dos carros, dos mastros. Vão se guardando as camisas, e apagando as pinturas. Existem aqueles mais fervorosos, que foram mostrados nos noticiários quebrando aparelhos de TV's. Presenciei alguns rasgando, e puxando a camisa que levava o verde e o amarelo. Isso porque aquilo que era motivo, talvez o único, de orgulho, depois de ontem não passou de uma vergonha. E agora do que vão se orgulhar o povo brasileiro?! Sim, como, acredito que todos os brasileiros, me entristeci com a derrota. Mais minha tristeza era pequena, logo passou. Maior é a tristeza quando vejo o tanto de vezes em que o Brasil já perdeu. Vejam o nosso falido Sistema Único de Saúde, vejam o nosso analfabetismo funcional, percebam nossa economia sendo levada nas costa de um programa de distribuição de renda direta. Mas, a humilhação não para por aí, vivemos na insegurança, temos que lidar com as indiferenças, já que as diferenças muitas vezes não são aceitas. Outra vergonha é o nosso patriotismo, porque que só vestimos as cores da bandeira nos períodos de Copa do Mundo, será que não vale a pena trajar-se com o verde e o amarelo para lutar por uma vida mais justa, por uma sociedade igualitária, por um melhor lugar para viver?!

Parece que não. O futebol parece ser o bastante, esse de vez em quando tem um investimento, mas parece que é só este. Pois somos, depois dessa derrota acho que é melhor empregar o éramos, o país do futebol, isso mesmo esqueçam dos outros esportes, esqueçam dos triatletas, dos corredores, dos nadadores, dos alpinistas, estes se trazem dinheiro e repercussão, quando trazem, são poucas.

Mas, quem sabe essa derrota sirva-se de lição. Sirva para mostrar que não temos um Brasil tão belo quanto ao que foi mostrado nos últimos 28 dias de Copa. Que mostre que falta se investir nos demais setores da sociedade. É sempre assim, arruma a casa pois tem visita! Coloque-se a sujeira em baixo do tapete, ou em outro lugar que seja bem escondido, para que ninguém possa ver.

David Luiz disse, chorando (eu acreditei no choro dele): “Eu só queria levar alegria pro povo, pra minha gente que sofre tanto […] eu só queria ver meu povo sorrindo […] vê o brasileiro sorrindo pelo menos por cauda do futebol...” Mas é isso, ele está certo, mesmo para aqueles brasileiros que nem de longe saberia explicar o que é um estádio de futebol, mesmo para aqueles que não tem condição de assistir ao jogo em uma Fan Fest, mesmo aqueles que não poderia ver em uma TV com alta qualidade de imagem e som, sorririam ao saber que o Brasil venceu o jogo.

Mas não foi assim, e aquele momento de alegria, de anestesia acabou, e todos são obrigados a lembrar o pesadelo (realidade) que se tem. Do salário comprometido em suaves prestações, do recesso escolar que já está acabando, da corrupção (ativa e tanto) que assola e dá de lapada, muito maior que a 'pêia' do jogo Brasil vs Alemanha.

Não, creio, vai se esperar muito! Daqui a pouco aparecerão os mais diversos casos, que tão corriqueiramente aparecia nos noticiários brasileiros. Os desvios, as brigas, os casos de racismo, a até mesmo daquela senhora que morreu por falta de atendimento médico. Vão ter também as notícias dos heróis: dos bombeiros que salvam milhares de vidas, do honesto que devolveu algum dinheiro perdido, dos professores, que fazem das vísceras (tripas) coração, que ensinam sob condições precárias. 

Tudo isso por que a Copa vai acabar. E vai mostrar, que, evidentemente, foi a Copa do Brasil. Mas, de forma alguma foi a Copa dos brasileiros.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Já pensou se nós tivéssemos um deputado caririaçuense?

O sistema de governo brasileiro é considerado representativo, os eleitores votam no candidato que melhor representa seus anseios e questionamentos, a sua ideologia. Mas será que isso realmente funciona? Será que os candidatos eleitos representam a população que lhe confiou o voto? Até certo ponto, representam sim. Basta notar os evangélicos, os ruralistas, os homossexuais, os ambientalistas, sendo “representados” nas discussões políticas. Esses segmentos da sociedade são representados sim.
Entretanto tem um segmento que fica de fora. E qual seria? Nós, os pobres, os que vivem pendurados no crediário e que, se o salário atrasar no fim do mês, não sabe como vai alimentar sua família. Os representantes do povo, não representam os pobres, constatação mais do que óbvia.
Eu já escrevi noutra oportunidade, que um pobre não consegue nem se eleger vereador na Serra de São Pedro e, se candidatar-se, será motivo para pilhéria de seus semelhantes. Pobre que se candidata até parece o Judas e deve ser estripado por causa da sua vontade de representar a sua classe. Lavagem cerebral e ideológica da mulesta, ainda há quem afirme que não existe o abuso do poder econômico. Só quem tem legitimidade para ser candidato é quem pode aliciar votos economicamente. Eis uma verdade inconveniente. Se pobre não é eleito, logicamente que também não é representado. Se fosse representado, seria uma contradição. Eis aí um dos filhos do enlace matrimonial entre democracia representativa e capitalismo.
Segundo Antônio Augusto de Queiroz, analista político do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), é estimado que os gastos de campanha para se eleger um deputado estadual, são R$ 500 mil, e um federal R$ 1 milhão. Esse dinheiro poderia ser do próprio candidato ou de doações de simpatizantes. Um pobre nunca terá esse dinheirão todo e as doações que ele recebe são somente o assistencialismo do governo e a promessa de uma vaguinha no Reino de Deus, isso se for um bom menino nesta terra de gigantes. Eu num sei não, mas tenho quase certeza que os males da caixa de Pandora vieram somente para os pobres.
Partindo desse pressuposto, da constatação que nossa cidade é uma urbe paupérrima e da observação que toda eleição para deputado, eles se dirigem até aqui somente para conquistar o nosso voto e desaparecer no oco do mundo, por que não votamos num candidato caririaçuense para defender nossa cidade nas assembleias estaduais e federais? Lógico que ele não estaria lá para defender exclusivamente a Serra de São Pedro, bastava que as suas emendas parlamentares fossem destinadas ao progresso da nossa cidade e do nosso povo. Já pensou na alocação de recursos que isso traria? Certamente isso seria um grande auspicio para essa ralé que nunca experimentou plenamente o progresso.
Enquanto a isso, a falta de progresso, basta notar a famigerada inauguração de um orelhão e a querela entre a situação e um agente da oposição, que na época, começo de 2012, reivindicavam a autoria do projeto que trouxe a grande obra de um telefone público. Pense numa lapa de progresso.
Todos os anos que se tem eleições estaduais e federais, aparece em Caririaçu, pessoalmente ou através de seus cabos eleitorais, postulantes a salvadores do sertão esquecido. Eles podem até ter boa intenção e almejarem o bem comum, mas depois da votação e de alguns votos conquistados, os caba somem no oco no do mundo e só retornam quando um novo pleito se aproxima. Eles vêm com a cara de cachorro que lambe panela, como diria minha saudosa vovó, mendigar novamente os nossos votos.
Ao que se observa, nossa cidade parece uma colônia de votos. Assim como as Índias serviram especiarias à Europa, a África serviu mão de obra escrava para o Novo e o Velho Mundo, o Brasil serviu minérios, cana-de-açúcar, borracha, café, entre outros produtos, para as potências europeias, Caririaçu só serve para servir os seus votinhos para esses defensores de outras causas que não são aquelas necessárias ao nosso progresso.
O último censo realizado nas terras de Ibirapitanga (nome que os índios chamavam o pau-brasil, planta que batizou o país), em 2010 e no qual, este escrevinhador teve a experiência de trabalhar como coletor de dados, apontou que a população da Serra de São Pedro correspondia a 14031 urbano e 12362 rural, totalizando 26393 habitantes. Desse total, 20290 eram pessoas que estavam aptas a transferirem para outrem a sua pequena parcela de poder. De lá pra cá, certamente a população aumentou e seu número de eleitores também, e conseguir uma fatia desses votos é de grande valia para qualquer postulante.
O problema é que a nossa cultura está viciada em valorizar e a atribuir crédito somente ao que vem de fora, não a cultura de Caririaçu, mas a nacional. Como diz uma canção dos Titãs (A melhor banda de todos os tempos da última semana), “um idiota em inglês/ se é idiota é bem menos que nós/ um idiota em inglês/ é bem melhor do que eu e vocês”. Desta maneira é muito mais fácil apoiar um forasteiro do que um nativo.
O povo são pedrense sempre votou em deputados de fora. Estimado leitor, desculpe a minha ignorância, mas tem alguma coisa boa e palpável que você, sua família e seus amigos usufruem que subiu à Serra puxados por eles? Uniforme de futebol não devem entrar nessa lista, embora o incentivo ao esporte mereça aplausos. Lógico que há algumas obras louváveis, mas se comparando com as que poderiam ser com deputa nosso lá, são incomparáveis.
Agora entra na baia os tecnocratas, burocratas e entendidos da política. Certamente eles dirão que essa moção é uma divagação e não é possível eleger um deputado somente com os votos de Caririaçu, pois o quociente eleitoral, político, a legenda, as alianças e o programa do partido, a cotação do dólar, o preço inflacionado do voto, a plataforma da campanha, a mensagem subliminar, o luxo das igrejas, o beijo gay da novela, o gol anulado, a luz amarelada do poste e o “carái de asa”, seriam um grande empecilho. Os argumentos variariam dos mais lógicos aos mais estapafúrdios. Mas isto poderia ser resolvido com um partido pequeno e de pouca representatividade. O pior problema não é este, o que quebra a bola mesmo, é encontrar um cidadão que conquiste os dois grupos políticos reinantes, que no fundo são tão iguais e só acreditam em heróis e antagonistas diferentes e mudam de lado conforme o benefício que lhe é atribuído. Quem pode ser o semideus que seduziria esses e aqueles que não se sentem contemplados pelas suas ideologias?
Que se fale, se discuta, que venham os “eu acho isso, eu acho aquilo”. Para quem tentar refutar tal proposição, apresente uma melhor que possa libertar nosso chão desse marasmo e que caminha com passos de uma tartaruga com fome e com preguiça no rumo do progresso.
Se nós fizermos o que foi exposto, podemos até não conseguir o objetivo, entretanto, é possível que viremos objeto de estudo de algum de sociólogo, cientista político, antropólogo, cientista social, historiador, ou outros cabocos metidos a sabido que tentarão, à luz da sua ciência, entender esse fenômeno.
Isso pode até ser doidice. Se for, endoide também e diga como se faz para trazer o progresso para essa terra banhada pelo sol, mas que é desprovida de luz. Todo mundo tem a solução na ponta da língua, diga a sua. Desça da liteira da lucidez que é carregada no lombo do medo de errar e ser refutado.
Se o progresso deverá chegar através da iniciativa privada, por que ela nunca se interessou pelo nosso Caririaçu?

PS: Os próceres políticos de nossa comuna, que por ventura me derem a honra de serem meus leitores, e que certamente apoiarão e pedirão votos para candidatos de alhures, por favor, não vejam essa moção com as lentes míopes da politicalha e nem levem para o lado pessoal. Isto é apenas “um sonhador maginano”. Se o que as suas excelências almejam é ver essa cidade prosperar, não tem como nós sermos antagonistas.
PS2: Os soldados ideológicos, aduladores e interesseiros, por favor, não saquem a arma no salão, eu sou apenas o escrevinhador[1], aquele que relatou toscamente uma verdade inconveniente.




[1] Paráfrase de trecho da canção “Apenas Um Rapaz Latino Americano” de Belchior.